Rita Serrano

Após a eleição de Donald Trump, diversas empresas que atuam em território americano anunciaram cortes em programas de diversidade e meio ambiente, revelando que suas “convicções” em ESG — políticas corporativas de responsabilidade social, ambiental e governança — estão subordinadas a interesses políticos e econômicos.

Segundo matéria do jornal Valor Econômico, publicada em 05/10/2025 e intitulada “Métricas de diversidade estão desaparecendo dos planos de incentivo”, a quantidade de empresas que incorporam métricas de diversidade, equidade e inclusão (DE&I) aos planos de remuneração executiva caiu significativamente.

Em 2023, 57% das companhias listadas nos índices S&P 500 e Russell 3000 incluíam essas medições. Hoje, esse número despencou para apenas 22%, resultado da pressão política e de acionistas. Esses índices acompanham o desempenho de cerca de 3.500 companhias de capital aberto nos Estados Unidos.

A conclusão faz parte de um estudo da SG CompPartners, consultoria especializada em remuneração estratégica, com base em dados coletados entre 2021 e 2025 pela FarientAdvisors, empresa americana focada em projetos de governança. A base inclui também empresas brasileiras listadas nos índices e firmas dos EUA que atuam no Brasil.

Grandes bancos como Goldman Sachs, Wells Fargo, Citi, Bank of America e Morgan Stanley já haviam anunciado a saída do Net-Zero Banking Alliance, que previa compromissos para alinhar suas atividades financeiras às metas ambientais de combate às mudanças climáticas.

Na Meta — dona do Facebook, Instagram, WhatsApp e outras plataformas — seu presidente, Mark Zuckerberg, encerrou a política de diversidade logo no início do ano, destituindo Maxine Williams, mulher negra que ocupava o alto escalão da empresa. Em um podcast, Zuckerberg comentou sentir falta de “energia masculina” em uma sociedade que, segundo ele, teria se tornado “neutra”.

Os avanços obtidos em anos anteriores, ainda que limitados, foram fruto da pressão da sociedade organizada — consumidores, movimentos sociais, sindicatos e minorias — e buscavam projetar uma imagem de modernidade aos mercados. Os recuos atuais exigem uma reação social contundente.

Ao eleger governos conservadores e autoritários, a humanidade retrocede.

Reagir é preciso.

Rita Serrano é doutoranda em Administração e ex-presidente da Caixa. Consultora do DIAP, palestrante, conselheira de administração e autora de livros e artigos. Em 2023, foi eleita pela Bloomberg Línea como uma das mulheres mais influentes da América Latina.